MANIFESTO DOS PROFESSORES DA FACULDADE DE EDUCAÇÃO DA UNIVERSIDADE DE BRASÍLIA

Os professores da Faculdade de Educação da Universidade de Brasília, vem a público repudiar o grave processo de ruptura da legalidade atualmente em curso no Brasil, conclamando a todos a se unirem contra o impeachment da Presidenta Dilma Rousseff.
Ao completar 50 anos de existência, período fortemente marcado pela luta pela ampliação dos direitos sociais e pela conquista do Estado Democrático de Direito em nosso país, o corpo docente da Faculdade manifesta a sua imensa preocupação com a crise política vivenciada pelo nosso país.
O Brasil tem vivido, até hoje, seu mais longo período de estabilidade democrática – sob a égide da Constituição de 1988, que consagrou um extenso rol de direitos individuais e sociais.
Apesar de importantes avanços sociais nos últimos anos, o Brasil permanece um país profundamente desigual, com um sistema político marcado por um elevado nível de clientelismo e de corrupção. A influência de grandes empresas nas eleições, por meio do financiamento privado de campanhas, provocou sucessivos escândalos de corrupção que vêm atingindo toda a classe política.
O combate à corrupção tornou-se um clamor nacional. Órgãos de controle do Estado têm respondido a esta exigência e, nos últimos anos, as ações anticorrupção se intensificaram, atingindo a elite política e grandes empresas.
No entanto, há uma instrumentalização política dessas ações, que gerou a desestabilização de um governo democraticamente eleito, de modo a aprofundar a grave crise econômica e política atravessada pelo país.
As denúncias que emergem contra líderes dos partidos de oposição têm sido em grande medida desprezadas nas investigações e silenciadas nos veículos hegemônicos de mídia. Por outro lado, embora não pese qualquer denúncia contra a Presidenta Dilma Rousseff, a “Operação Lava Jato” tem sido usada para respaldar a tentativa de impeachment em curso no Congresso Nacional – que é conduzida pelo deputado Eduardo Cunha, presidente da Câmara dos Deputados e oposicionista, acusado de corrupção e investigado pelo Conselho de Ética dessa mesma casa legislativa.
O risco da ruptura da legalidade, por uma associação entre setores do Poder Judiciário e de meios de comunicação historicamente alinhados com a oligarquia política brasileira, em particular a Rede Globo de Televisão – apoiadora e principal veículo de sustentação da ditadura militar (1964-1985) -, pode comprometer a democracia brasileira, levando a uma situação de polarização e de embates sem precedentes.
Tudo isso acontece no meio de uma grave crise econômica e os patrocinadores do golpe institucional se apressam a garantir o aprofundamento do ajuste fiscal e de implementar a retirada profunda de direitos, inclusive com forte consequência para a vida dos servidores federais e para a autonomia das universidades brasileiras.
Diante da ameaça à democracia, às conquistas sociais e aos direitos históricos, representados nesse momento pela ofensiva de setores golpistas e das forças neoliberais, dizemos não ao impeachment!

Antônio Fávero Sobrinho
Ana Maria de Albuquerque Moreira
Ana Tereza Reis da Silva
Antônio Villar Marques De Sá
Carlos Alberto Lopes de Sousa
Carmenísia Jacobina Aires
Catarina de Almeida Santos
Cláudia Linhares Sanz
Cleide Maria Quevedo Quixadá Viana
Cleyton Hércules Gontijo
Cristina Helena Almeida de Carvalho
Cristina Maria Costa Leite
Cristina Massot Madeira Coelho
Danielle Xabregas Pamplona Nogueira
Edileuza Fernandes Da Silva
Erlando da Silva Rêses
Fátima Lucília Vidal Rodrigues
Graciella Watanabe
Helvia Leite Cruz
Iracilda Pimentel Carvalho
José Vieira de Sousa
Kátia Augusta Curado Pinheiro Cordeiro da Silva*
Leila Chalub Martins
Lúcio França Teles
Maria Alexandra Militão Rodrigues
Maria Aparecida Camarano Martins
Maria Emília Gonzaga De Souza
Maria Lídia Bueno Fernandes
Maria Zélia Borba Rocha
Marly de Jesus Silveira
Olgamir Francisco de Carvalho
Paulo Sérgio Andrade Bareicha
Raimundo Luiz Araújo
Raquel de Almeida Moraes
Renato Hilário Dos Reis
Renísia Cristina Garcia Filice
Rita Silvana Santana Dos Santos
Rodrigo da Silva Pereira
Ruth Gonçalves de Faria Lopes
Shirleide Pereira da Silva Cruz*
Simone Aparecida Lisniowski,
Solange Alves De Oliveira Mendes
Vera Aparecida De Lucas Freitas
Viviane Neves Legnani.



*As professoras Kátia Augusta Curado Pinheiro Cordeiro da Silva e Shirleide Pereira da Silva Cruz são coordenadoras do GEPFAPe e assinam este manifesto.

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s